Numa homenagem ao Dr. Fábio
Nelson Fiúza e seu Filho Ricardo Defeo Fiúza, D. Branca (Maria), na coluna “Nossos
Poetas”, diz ter demorado, mas que enfim, teria conseguido reunir um pouco do
que ambos fazem para receber o “importante e carinhoso título de poeta”. Entretanto,
a homenagem acaba por ser estendida aos Melgaços, de maneira geral. Em nome de
todos e, em especial no que tange ao meu pai e a mim mesmo, agradeço o
reconhecimento tão especial dessa grande e reconhecida escritora dorense. Abaixo um pequeno trecho da publicação:
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Um Paradoxo e uma Polêmica na história de Dores do Indaiá.
A velha Matriz de São Sebastião já demolida.
UM PARADOXO NA HISTÓRIA DE DORES
DO INDAIÁ: Por que a “tosca e provisória capelinha colmada do Rancho da Boa
Vista” dedicada a Nossa Senhora das Dores, a freguesia tendo Nossa Senhora das
Dores como padroeira, e a igreja matriz construída tendo como orago São Sebastião?
A ideia de construção de uma
igreja definitiva e de um povoado nasceu entre o povo, que já precisava de dois
cemitérios, e porque se encontrava arruinada a capela do Rancho da Boa Vista.
“Quando se escoava na roda do
tempo, a sumir-se nas dobras do passado o século XVIII, habitavam estas
pitorescas e ubérrimas plagas sertanejas do vale do majestoso rio S. Francisco,
aquém da lendária Serra da Saudade, entre outros os seguintes fazendeiros – Cap.
Amaro da Costa Guimarães, na fazenda de Santa Fé; Manoel Gomes Batista, na
fazenda dos Gerais; Cap. Elias Pinto Coelho, na fazenda do Sobrado; e Manuel
Corrêa de Sousa, na fazenda dos Patos. Cogitavam estes fazendeiros fundar uma
povoação onde pudessem ter mais prontos os recursos da religião cristã e da
medicina, elevando suas vistas ao porvir e trazendo para este centro o
melhoramento e o comércio; entretanto,
Manuel Gomes Batista pretendia que fosse na fazenda dos Gerais, ou nas suas
imediações nas cabeceiras do córrego do Capim
Branco e Córrego do Cemitério,
nome este proveniente de um cemitério hoje abandonado que, naqueles tempos, aí
existiu. O Cap. Elias Pinto Coelho também queria que fosse na sua fazenda do
Sobrado, ou nas cabeceiras do Córrego de
N. Senhora, onde existiu também um cemitério velho, abandonado, tendo
apenas hoje, este e naquele, umas cruzes velhas que denotam seus lugares.”
(João Sabino Ribeiro)
Outra polêmica é quanto a quem
foi o responsável direto pela obra. Para Carlos Cunha Corrêa quem soube
resolver a divergência sobre o local a ser construída a igreja, e levar a cabo
tal empreendimento foi Manoel Corrêa de Souza, mantendo a escolha dos antigos, o
mesmo local da arruinada capelinha, ou seja, na Praça São Sebastião (P. Lacerda),
e foi ele quem doou cerca de seis alqueires de sua propriedade, que cercou com
valos de 2m de largura por 2m de profundidade, além de fornecer materiais e
dinheiro. Já Waldemar de Almeida Barbosa declara ter sido o Cap. Amaro da Costa
Guimarães, que segundo ele liderou a construção com a cooperação dos
fazendeiros, mandando buscar oficiais competentes em Pitangui. Afirma ainda,
que a capela estava incompleta em 1801 e que uma vez construída, o Cap. Amaro, com
esmolas e donativos dos fazendeiros tratou de construir o corpo da igreja na Praça
São Sebastião. O autor diz que estas informações foram fornecidas pelo
morador mais antigo da cidade, Manoel Ribeiro Caldas, ou seja, de fonte oral. Um
fato interessante é a construção de uma casa para os lados da localização do
atual santuário para guardar as imagens dos santos. Tal casa ficou conhecida
como Casa de Nossa Senhora e foi demolida em 1888. Para justificar sua posição
quanto à questão Carlos Corrêa enfatiza que o Cap. Amaro pouco tempo sobreviveu
ao início da construção já que faleceu em 1816; e que, Manoel Corrêa de Sousa
acompanhou as obras e o desenvolvimento do povoado até 1834 (No livro de
Waldemar de Almeida Barbosa consta que a nova matriz ainda estava em construção
em 1832); e ainda que nenhum dos fundadores superou sua perseverança nessa
obra. Afinal, quem tem razão?
Em 15 de agosto de 1799, mesmo
antes de serem concluídas as obras da nova matriz, o Reverendo Francisco Luiz
de Sousa (o primeiro vigário de Dores, que tomou posse um ano depois -1806- de
ser criada a paróquia em 1805) batizou Luiz, filho de José Francisco de Paiva e
Luiza Marques de Araújo e, no documento aparece o nome de Capela de Nossa
Senhora das Dores. Esse engano deve ter sido em função do nome da Freguesia, e
de ter sido a certidão lavrada pelo Padre Belchior Pinheiro de Oliveira,
vigário de Pitangui. Trata-se da mesma
igreja?
Em fim, por que Nossa Senhora das
Dores e São Sebastião?
Ao que tudo indica foi
determinante para isso o esforço e dedicação de D. Leonor Luisa de Portugal, esposa
de José Luis Saião, que possuíam sesmarias no sítio chamado Babilônia, perto da
Serra da Marcela e no sítio Capão Grosso, respectivamente.
Para concordarmos com Waldemar de
Almeida Barbosa, São Sebastião se explica em função de pestes recorrentes nos
sertões das Dores do Indaiá e, da devoção popular ao Santo protetor, que teria
levado a uma promessa coletiva contra as pestes, que assustavam as famílias dos
fazendeiros, seus agregados e um pequeno contingente de escravos.
Créditos:
João Sabino Ribeiro (Primeiro historiador de Dores do Indaiá
– Semanário “INDAIÁ” de 1906)
Carlos da Cunha Correia (Serra da Saudade)
Waldemar de Almeida Barbosa (História de Dores do Indaiá)
domingo, 10 de novembro de 2013
Melgaços de Dores do Indaiá
MELGAÇOS DE DORES
DO INDAIÁ
DE PÉ - DA ESQUERDA PARA A DIREITA:
Bilia (Maria) casada com
Ricardinho Fiúza.
Nico (Antônio) pai da Rita,
Isaura e Antero.
Luzuca (Luiza) solteira.
Chico (Francisco) casado com
Savira.
Chucuta (Francisca) casada com
Evaristo Ferreira.
Cinto (Jacinto) casado com
Floripes – (Meus bisavós paternos, Pais de Evaristo Melgaço (Varistinho) pai
de Jadir Melgaço).
Mazeca (Maria José) casada com
Polidoro Fonseca.
SENTADOS – DA ESQUERDA PARA A DIREITA:
Didinga
(Leopoldina) casada com Antoninho Caetano.
Luiza
Zinga (Jesuina)
casada com Antônio Andrade.
Lolola
(Aurora) casada com Nico Bento.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Homenagem a um dos maiores poetas da língua inglesa: John Keats (1795-1821)
John Keats (1795-1821).
“Poeta cujo nome
estava escrito em água”
“Em Keats, o preciosismo e
a ornamentação de linguagem mescla-se à invenção verbal e à melissonância do
verso como dificilmente podemos encontrar em outro poeta inglês.” (Alberto
Marsicano e John Milton)
...
Hino à Tristeza (Excertos)
“Ó Tristeza,
Por que
tomas
A rubros lábios o matiz nativo da saúde?
Para
dar rubores de donzela
Às
moitas de roseiras brancas?
Ou tua mão de orvalho é a ponta das boninas?
“Ó
Tristeza,
Por que
tomas
Ao olho do falcão o ardor brilhante?
Para dar
luz ao vaga-lume
Ou, em
noite sem lua,
Tingir, em praias de sereia, a inquieta água do mar?
“Ó
Tristeza,
Por que
tomas
A uma plangente voz canções suaves?
Para
dá-las, na noite fresca,
Ao rouxinol
Que possas escutar entre os serenos frios?
“Ó
Tristeza,
Por que
tomas
À alegria de maio o júbilo do coração?
Nenhum
amante pisaria
A
primavera em sua fronte,
Dançasse embora desde a noite até o raiar do dia,
-
Nem flor alguma languescente,
Tida
por santa para o teu recesso,
Onde quer que ele folgue e se divirta.
”Ó
Tristeza
Eu
desejei bom-dia
E pensei deixá-la para trás, bem longe,
Mas
satisfeita, satisfeita,
Ela
quer-me ternamente;
É-me tão constante e tão amável:
Eu
queria enganá-la,
Assim deixando-a,
Mas ah! ela é-me tão constante e tão amável.
(...)
“Sob as minhas palmeiras e
do rio à margem
Eu
sentei-me a chorar: que noiva enamorada,
Se a
ilude um vago pretendente, ao vir das nuvens,
Não se oculta nem
se vela
Sob
escuras palmeiras e de um rio à margem?
(...)
”Vem pois, Tristeza!
Dulcíssima Tristeza! -
No
colo nino-te como se filha minha!
Eu
pensava deixar-te
E
te iludir,
Porém
no mundo inteiro és tu a quem mais quero agora.
(...).
Créditos: tumblr.com
...
COMENTÁRIO:
No mundo do pensamento e do
poder mental o poeta vê neblina e rocha. A neblina (mortalha de vapor) encobre
os abismos e o conhecimento do homem sobre o inferno, sobre o céu. Na medida em
que a neblina vai se espargindo revela-se a terra de forma vaga como o
conhecimento do homem sobre si mesmo. Sentindo as pedras ásperas sob seus pés
conclui que, o que ele (que se autodenomina “pobre e tolo elfo”) sabe é que
pisa sobre elas, e o que seus olhos vêm é somente neblina e rocha.Então, o pobre e tolo elfo
mira o abismo que se encontra encoberto por uma mortalha de vapor, para em
seguida estabelecer uma analogia entre o conhecimento do homem sobre o inferno e
o abismo. Ambos encontram-se encobertos pela mesma mortalha. Em seguida faz o
mesmo com o céu, para depois vislumbrar a terra, pisar suas pedras e concluir o
que ele vê no mundo do pensamento e do poder mental é somente neblina e rocha.
A neblina encobrindo o que
ainda não foi desvelado pela capacidade de conhecer do homem, e a rocha
representando o que de melhor essa capacidade produziu?
Musa, Abismo, Terra, Céu
aparecem também na Teogonia de Hesíodo: “Disso me narrem, Musas que têm morada
olímpica, do princípio, e dizei qual deles primeiro nasceu”. A resposta vem
logo a seguir: “Bem no início, Abismo nasceu; depois, Terra largo-peito, de
todos assento sempre estável, dos imortais que possuem o pico do Olimpo nevado,
o Tártaro brumoso no recesso da terra largas-rotas e Eros, que é o mais belo
entre os deuses imortais, o solta-membros, e de todos os deuses e todos os homens
subjuga, no peito, espírito e decisão refletida.”
Considerando outras
possíveis analogias ou mesmo coincidências, tais como no “Cimo do Ben Neves”
velado na névoa e pico do Olimpo nevado: no início o Abismo; na medida em que a
neblina que encobre o Céu vai se espargindo aparece a Terra; (Em Hesíodo o Céu
nasce de Terra: “Terra primeiro gerou, igual a ela, o estrelado Céu, a fim de
encobri-la por inteiro para ser, dos deuses venturosos, assento sempre
estável.”), é possível perguntar se ocorreu uma inspiração grega no poeta
inglês?A prece ou a lição que a
Musa lê para o poeta reza que névoa, vapor e neblina encobrem o conhecimento do
homem (pensamento e poder mental) sobre o inferno, sobre o céu, e sobre si
mesmo. Seria cético o poeta inglês? Tudo que ele vê é neblina e rocha nas
alturas em que se encontra no cimo do Bem Nevis, e também no mundo do
pensamento e do poder mental. Cético e realista? Ou será o oposto: acredita
somente no sonho que a vida é? Tudo ficando aquém da percepção humana em meio à
névoa, ao vapor e à neblina. A vida como um sopro de sonho.
...
COMENTÁRIO:
Em “No Mar” o som (canto
das ninfas do mar) e o movimento (calmaria e ventos celestiais) são
características ressaltadas na sua “visão-imagem” de mar: (eternos murmúrios;
velho e assombroso som; tão tranquilo; dias imóveis; desenlace dos ventos celestiais).
Mas, isso não é o que importa. Importa se situar nas invisíveis asas da poesia
para que elas se tornem visíveis, audíveis, sensitivas e por que não do sonho, que
venham de encontro com a nossa pele e nos faça arrepiar.Escutar as ninfas do mar
(quem está com os ouvidos atordoados
pelo ruído ou enfastiado da música melosa). Para tanto o poeta pede que
sentemo-nos à boca de uma das vinte mil cavernas inundadas pelo mar, em seguida
meditar até que seja possível escutar o canto das ninfas do mar.Quem cujos olhos estão atormentados e entediados
regozijai-vos com a imensidão do mar.
Da quase imobilidade de uma
enorme calmaria ao desenlace dos ventos celestiais: a alternância entre a
calmaria e o mar revolto pelos ventos celestiais. Em que céu estaria pensando o
poeta?
Até
que ocorra o sortilégio de Hécate (Deusa noturna,
da vida e da morte, chamada de “A Mais Amável”, “Rainha do Mundo dos Espíritos”,
“Deusa da Bruxaria”; a mais antiga forma grega da Deusa Tríplice, que
controlava o Paraíso, o Submundo e a Terra.) o mar guarda eternos
murmúrios nas praias desoladas e inunda, com suas soberbas cristas, vinte mil
cavernas, que passam então a abrigar o seu velho e assombroso som. O canto das
ninfas do mar?
Estar no mar é como ter ao
seu alcance o gozo do olhar a imensidão do mar, o prazer de poder escutar o
canto das ninfas do mar, que moram em uma das vinte mil cavernas inundadas pelos
murmúrios eternos do mar.O que se vê e o que se ouve
no mar.
...
Comentário:
No poema “A Morte” o poeta
diz ser a vida nada mais que sonho, e pergunta se a morte (o que pensamos ser a
grande dor) pode ser sono. Ainda que o augúrio futuro do estranho vagar do
homem na Terra, em sua maldita vida, é somente despertar. Do sono ou do sonho?
Sendo a morte sono, resta o sonho. Despertar do sonho leva ao quê? Sendo a vida
sonho, uma vez dele desperto chega-se aonde, ao quê? Ou será que despertar do
sonho é cair no indesejado sono, na morte?
...
(Créditos: Alberto Marsicano e John Milton tradutores dos poemas de Keats na publicação intitulada “Nas Invisíveis asas da poesia”.)
sábado, 28 de setembro de 2013
Homenagem ao meu pai Jadir Melgaço (Cavaquinho).
Infelizmente não tive a possibilidade de conviver de forma mais intensa e duradoura com meu pai. Tenho algumas lembranças esparsas porém claras. De quando chegava de viagens pelo Brasil e trazia coisas de outros estados, como da Bahia uma certa vez; ou de brincadeiras em torno da fornalha secando sua botina ao calor do fogo. A sua presença em mim foi muito mais resultado de lembranças de minha mãe ou de conhecidos que sempre acrescentavam informações que me ajudaram a construí-la.
(Fonte: Jornal o Liberal - Ano II - N 20 - Dores do Indaiá - 28 de outubro de 1994)
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
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