sexta-feira, 28 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O que Nietzsche deve a outros (II)
QUINTO HORÁCIO FLACO
Será senhor de si e
viverá contente aquele a quem for lícito dizer cada dia: "Aproveitei a
vida! Amanhã, pode o Pai dos deuses ocupar com uma negra nuvem ou com sol puro
o céu; mas não tornará vão o que é passado nem mudará ou fará que não tenha
ocorrido aquilo que nos trouxe uma vez a hora fugidia".
Nietzsche
sobre Horácio: Até
agora nenhum poeta me proporcionou um encanto artístico comparável ao que
experimentei ao ler suas obras. (...) Esse mosaico de palavras em cada
vocábulo, tanto por seu timbre especial como por seu lugar na frase e pela
ideia que expressa, tem um valor substantivo; esse minimum na soma e o número dos signos e esse maximum na energia dos signos, tudo isso é romano e aristocrático
por excelência.
Quinto Horacio Flaco nasceu
em Venúsia a 8 de dezembro de 65 a.C. — Roma faleceu a 27 de novembro de 8 a.C.
Foi um poeta lírico e satírico romano, além de filósofo. É conhecido por ser um
dos maiores poetas da Roma Antiga.
Trecho de uma de suas obras:
Gozar enquanto é tempo!
Póstumo, Póstumo! Os anos - ai de
nós! - correm velozes e nem a piedade retardará as rugas, a velhice iminente e a
indomável morte. Não o conseguirias, meu amigo, mesmo que imolasses trezentos touros,
um cada dia, a fim de aplacar o insensível Plutão, que retém Tício e Gerião,
gigante de três corpos, além do triste rio cuja travessia certamente há de ser
feita por todos nós, que comemos os frutos da terra, quer sejamos reis, quer
pobres camponeses. Em vão fugiremos à guerra sangrenta ou às ondas do rouco Adriático,
que se quebram de encontro aos rochedos; em vão recearemos, durante o outono, o
vento que faz mal: teremos de ir ver o negro Cócito, que vagueia
com seu lânguido curso, e, a infame prole de Dânao e o filho de Éolo, Sísifo,
condenado a um eterno trabalho. Terás de abandonar a terra, a casa e a esposa
querida e nenhuma das árvores que plantas te há de seguir para além dos odiosos
ciprestes; por breve tempo tu és seu dono. Um herdeiro mais esperto que tu beberás
todo o Cécubo que guardas com cem chaves e banhará o chão com um vinho
magnífico, melhor que o dos jantares dos pontífices...
Créditos:
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
O que Nietzsche deve a outros (I)
Cayo Salustio Crispo
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Apesar de algumas considerações sobre seu gosto muito particular que não gosta de aprovar e prefere mais contradizer e negar; que não costuma aprovar em bloco e que poucos foram os autores que influíram em seu estilo e obra, Nietzsche reconhece algumas dessas influências: Salustio, Horácio, Fontenelle, Tucídides, Maquiavel, Jacob Burckhardt, Goethe, Schopenhauer.
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Salustio nasceu
em 01 de outubro de 86 a. C e faleceu com 52 anos a 13 de maio de 34 a. C. Seu
estilo conciso e uma análise penetrante influenciou Nietzsche que aprendeu
latim de um só fôlego surpreendendo seu professor o Senhor Corssen: “Cerrado,
severo, com muita substância de fundo, com uma fria malevolência para com a
frase bela e os belos sentimentos,
Salustio fez com nessas qualidades suas eu adivinhasse a mim mesmo.” (Crepúsculo
dos Ídolos).
Trecho de sua obra mais importante: Conjuração de
Catilina.
Em tempos remotos os Reis (este foi o nome que
se deu no mundo aos primeiros que mandaram) já exercitavam o ânimo, o corpo,
segundo o capricho de cada um: ainda passavam os homens a vida sem ganância:
todos estavam contentes com sua sorte. Mas depois que Ciro na Ásia, e na Grécia
os Lacedemônios e Atenienses começaram a subjugar os povos e nações, a guerrear
somente pelo capricho de poder mandar, e a medir sua glória pela grandeza de
seu Império; então mostrou a experiência e os sucessos que o fundamental da
guerra é o engenho, a estratégia. E para dizer a verdade se os Reis e Generais
fizessem tanto uso dela no tempo de paz, como na guerra, com mais teor de
igualdade iriam as coisas humanas, nem as veríamos tão mudadas e confusas: porque
o mando facilmente se conserva pelas virtudes mesmas com que a princípio se
alcançou. Porém logo que ocupa o lugar do trabalho a preguiça, e o capricho e
soberba o da moderação e equidade, muda juntamente com os costumes a fortuna: e
assim passa sempre o Império do mal e não merecedor aos melhores e mais dignos.
A terra, os mares, e quanto encerra o mundo está sujeito à invenção humana; mas
existem muitos que entregues à gula e ao sono passam sua vida, como peregrinado,
sem ensino nem cultura; aos quais, trocada a ordem da natureza, o corpo serve
somente para o deleite, a alma é apenas fardo e embaraço. Para mim não é menos considerável
a vida destes que a morte, porque nem de uma nem de outra fica memória: e me
parece que só vive e goza da vida o que ocupado honestamente procura conseguir
fama por meio de alguma façanha ilustre ou virtude excelente. Mas como existem
tantos caminhos, a Natureza guia cada um pelo seu.
Créditos:
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
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