terça-feira, 17 de julho de 2012
"Causos" verídicos do Sertão de Minas Gerais II
E o causo do macarrão dos Treis Capão? Eu e meu irmão fomos trocar dia de trabalho com um vizinho. A gente ia ajudá-lo a capinar o café e ele ia nos ajudar
a limpar mais uma área para plantar. Depois da lida resolvemos jogar futebol.
Lá tinha um campinho de terra batida, mas com as traves que incentiva os
artilheiros. Já era de tarde e o dia começava a perder forças para a noite
quando chegam minha mãe e minha irmã com expressões de assustadas. Nem
esperaram chegar perto e falando alto e gritando perguntaram por que não
tínhamos ido embora mais cedo. Perguntei por que essa história toda e por que
tinham vindo atrás da gente. “Tem um trem gritando macaraaaaaãããhummm” lá no
mato perto do rancho e ocês precisam ir lá ver o que que é.” Falou minha mãe
com a confirmação na forma de mímica de minha irmã. Eu não entendi: “gritando o
quê?” “Macarrão, assim como se tivesse raspando a garganta: “macaraaaaaãããhummm”,
de toda altura.” Com mais calma e depois de respirar um pouco elas explicaram
melhor. “Não, a gente tava fazendo um macarrão, já tinha posto a água para
ferver e quando quebrei o macarrão para colocar na água começou um trem ou um
bicho lá no mato a gritar sem parar “macaraaaaaãããhummm”, largamos a panela pra
trás e viemos correndo procurar ocês. Cêis também hem? Em vez de voltar pra
casa vai jogar bola uma hora dessas? Claro que não podia faltar um puxão de
orelha, não é? Depois um dos moradores de lá e que tava jogando conosco
explicou que tem mesmo um pássaro cujo canto é mais ou menos assim “macaraaaaaãããhummm”,
mas que ninguém nunca tinha escutado esse macaraaaaaãããhummm” não. Mas que
pensando bem parecia um pouco. O fato foi na verdade uma coincidência, o
cozinhar do macarrão, a nossa demora em voltar, a noite chegando, e o
passarinho cantando. Eita Três Capão bão e divertido, Sô!
"Causos" verídicos do Sertão de Minas Gerais
Há algum tempo tenho vontade de
contar os causos que vivi nos Treis Capão.
São causos verídicos e, o que os torna interessantes é que os Treis Capão que conheci nos transportava
para um ou dois séculos para trás no tempo.
Era um lugar extemporâneo no sentido do passado. Um pequeno povoado com
uma única rua com seu entorno formado por pequenas propriedades de produção de
café, principalmente o Catuaí. Alqueire
de oitenta litros, troca de dias de trabalho, vida solitária em verdadeiros
cafundós, uma fé religiosa inabalável e coisas do tipo: para rezar é preciso
colocar as mãos postas e na maioria das vezes ajoelhar; nas visitas os homens
são proibidos de ir até a cozinha, onde a dona da casa recebe as mulheres
visitantes, e por ai vai... Na única rua do povoado existiam dois botecos, um
quase em frente do outro. Para não fazer desaforo o costume era beber nos dois
no mesmo dia. Os donos cobravam mesmo. Bebeu lá tem que beber aqui também se
não fico bravo. Quando ia aos três capões me sentia um pouco como nos filmes de
faroeste americano. Ia a cavalo, chapéu, bota, jeans, em vez de uísque a pinga
ou cerveja, o balcão de madeira sem bancos, o jogo não era o poker, mas o truco
ou a sinuca, o violão no lugar do piano e assim vai... Faltava o revolver na
cintura (na maioria dos casos) e as belas garotas sempre presentes nos Saloons do velho oeste. As situações cômicas não faltavam e, é claro
de desentendimentos também. Certa vez uma senhora foi conosco para lá. Ela era
muito engraçada e espirituosa. Ficou curiosa quanto ao nome do povoado e queria
de qualquer jeito entender. Perguntava aqui e ali e não conseguia se contentar
e sossegar com a curiosidade. Estávamos em um dos botecos e de repente ela se
virou para o dono com um nariz quase no outro e perguntou na bucha: “o senhor
também é capão ? Ele deu uma pressa de responder com muita segurança e ênfase:
“não, eu? Não, não, não de jeito nenhum! Outro dia chegamos lá e a sinuca
estava em funcionamento. Papo vai e vem,
chamaram minha atenção para um dos jogadores na sinuca. Ele tinha um tipo de tique
nervoso bem interessante. Seu cabelo quase louro muito fino tinha de um lado da
cabeça uma longa franja que ia abaixo do queixo. Sem nada para prendê-la é
claro que não poderia ficar em cima da cabeça. No entanto, ele insistia nisso.
A franja caia e ele a levantava, de novo e de novo o tempo todo. Mas não era só
isso. Acho que ele se espelhava na personagem de Lima Duarte, Sinhozinho Malta
da novela Roque Santeiro. Tinha um típico patacão
no braço direito com uma pulseira branca de metal bem folgada, e cada vez que
ia levantar a franja tinha que balançar o punho para ajustar o relógio. Uma
tacada na sinuca e de novo a mesma cena: franja no rosto, punho balançando e o
enfiar dos dedos por entre os cabelos para levantá-los ao topo da cabeça. Ensaiei
uma risada e fui contido imediatamente pelo dono do boteco que num particular
comigo disse: “não ri não sô, ele briga e costuma andar armado. Quem nessa vida
não se viu naquela situação onde a proibição de rir faz o riso disparar? O cara
olhou para ver o que era e eu não tive dúvida: “essa é muito boa, conta outra que
depois vou contar uma.” Consegui me safar da possível ingrisia e o “Franginha”
voltou à sua lida. Ah se ele fica sabendo dessa alcunha que todo mundo usava,
bem longe dos seus ouvidos é claro, e só ele não sabia. Tem gente ruim de mais
neste mundo, não é mesmo? Deixa o Franginha Patacão em paz, caramba! Mas como
não achar uma figura destas engraçada? Principalmente quando é proibido rir. Aí
é que a vontade der rir aperta mesmo.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Prosopopeia V
O que importa afinal é a vida, por que da morte nada
podemos esperar, a não ser que ela chegue. Nada a ver com o pós-morte. Esta é
outra questão. A vida limita-se ao tempo pré-morte. É deste tempo que se trata.
Conheci uma pessoa que resolveu esperar a morte e não fazer mais quase nada a
não ser aquilo que não tem jeito de não fazer, como comer, dormir etc. Terno
impecavelmente passado e bem guardado no guarda-roupa esperando o dia do
velório e o enterro, sapato engraxado, meia, o caixão pago e, por aí vai.
Morreu antes da hora e se esqueceu de deitar. Vale a pena esta opção: morrer
antes da hora? Mesmo quando a vida e, talvez principalmente nesses casos, já
parece não ter mais graça (Niilismo?), mais um sentido claro e satisfatório será que a
opção por morrer antes da hora se justifica? Deixando de lado os casos do
contexto da eutanásia e coisas do gênero, temos que avaliar junto com Albert Camus
sobre a importância de a vida ter um sentido: Para ele “a vida será mais bem
vivida se não tiver sentido”. Absurdo? Loucura? Ateísmo? Ou lógica com uma boa
pitada de bom senso? Inseridos num universo que não apresenta nenhum sentido
abre-se uma contradição entre ele e as nossas vidas, portanto o melhor é negar
a contradição e superá-la (dialética?) é o que argumenta Camus. Silogismo/Trilogismo:
Premissas: a) o universo não tem sentido => b) nossa consciência nos faz
sentir que nossas vidas tem sentido => c) as duas coisas ao mesmo tempo não dá; Resultado
ou conclusão: como não dá para fazer com que o universo passe a ter um sentido
a solução é viver uma vida sem sentido para se viver melhor. Será que as coisas são assim mesmo e pronto,
simples assim? Qual a prova de que o universo não tem sentido. O fato de o
homem ainda não ter comprovado cientificamente um sentido para o universo não
significa necessariamente que ele não exista. Quem disse que o universo precisa
ter sentido para que nossas vidas também o possam ter? Para que possamos viver
bem precisamos que o universo seja o nosso mundo exterior, simples assim. Que
me importa a direção de afastamento das galáxias neste momento, ou que daqui a cerca de cinco bilhões de anos
o Sol vai engolir a Terra e seus vizinhos planetas? Qual a possibilidade de que
o homem encontre outro planeta em condições de perpetuação da espécie homo
sapiens por mais uns dez bilhões de anos pós-morte da Terra? É esse o sentido
do universo: dar garantias para a continuidade de nossas vidas. E o sentido de
nossas vidas é de que sejam vividas intensamente até o último suspiro. Mesmo
que isto aconteça aos vinte e sete anos como Jimi Hendrix, Jane Joplin, Amy
WineHouse, a tão querida musa do soul. Sabiam que são cerca de 40 artistas
famosos que morreram aos 27 anos. Trata-se de uma maldição? Não importa a idade
limite, importa o tipo de caminhada que se caminha até chegar lá. Então é
possível identificar sentidos para as vidas. Será que a pombinha branca que
ajudou a velar Dom Eugênio Sales não seria uma prova de que uma vida com
sentido faz muito mais sentido? Alguém duvida que tenha faltado sentido para
esta vida? Quem viveria de novo da mesma forma a vida de alguém que passou
desta para melhor, considerando isso possível de realizar-se. Por exemplo,
alguém viveria de novo a vida que viveu Antoine Fraivaux? Walter Benjamin? Renato Russo? De cazuza? Chega de sugestões: cada um escolha
o que lhe aprouver. Importa o questionamento. Casos em que ninguém aceitasse
viver de novo aquela vida que se foi seria indício de que se trata de uma vida
que foi vivida sem sentido? Viver circunscrito ao condado em que nasceu,
aprender e exercer a profissão do pai cada vez mais cada dia menos rentável
(produção de perucas para uso nos teatros
principalmente) ao ponto de não se ter dinheiro para comprar os livros
que precisa para realizar o sonho de entender uma pouco mais, realizar aquela
árdua tarefa a qual me referi anteriormente de tentar ir fundo na compreensão
das coisas, da tarefa incansável de conhecer, escolher a solidão como
companheira para toda vida e não querer ter filhos para não vê-los tornarem-se
diferentes da gente a cada dia que passa e serem pessoas únicas e com toda sua
forma de dar sentido, mesmo que ingenuamente um sentido para sua própria vida,
mas afinal sentindo-se filósofo e escrevendo seu livro “A lógica do verossímil”
que não torna-se parte da cultura acadêmica da época. Há algum sentido nesta
vida? O estar vivo na medida em que se inclui no dia a dia das pessoas como
teórico, filósofo mesmo tendo já morrido é um sentido a ser buscado para uma
vida de um ser humano? Com certeza, inúmeras outras vidas foram vividas com
sentidos muito menos nobres do que este. Tudo isso é destituído de sentido. A
uma das máximas de Karl Marx eu acrescentaria uma observação para tornar essa
bravata mais amena: mais que transformar o mundo o filósofo deve ajudar as
pessoas a viverem melhor. Por que nem sempre transformar significa melhorar o
mundo, pode sair o contrário. Tenho um respeito enorme por Marx. Em um momento
de minha vida senti vontade de viver a vida que ele viveu. Nas bibliotecas
pesquisando, redigindo suas ideias, interagindo com o mundo e a sociedade na
qual vivia de forma apaixonada e intensa e com um propósito humano muito digno
de ver a maioria vivendo em condições mais dignas. Chegando ao ponto de colocar
a própria vida em risco pelo ideal comum. Aqui se abre uma encruzilhada na
procura de um caminho que tenha mais sentido para cada um de nós: uma vida
pública com fama e envolvimento artístico, político, ou seja, lá o que for ou
ostracismo e vida a mais privada possível? Na maioria das vezes e em graus
diferenciados somos um pouco uma coisa e a seguir a outra coisa e assim
sucessivamente até que se entra numa estabilidade próxima da melhor idade, e no
embate com o seu futuro cada vez mais perto de ser extinto da face da Terra. Precisamos
trazer de novo a filosofia para o para o solo do dia a dia. Sartre fez isso
muito bem. Não é a toa que muitos estão criticando esse elitismo intelectual
que se distancia da vida das pessoas para se arvorar em uma linguagem rebuscada
que trata de temas nem sempre compatíveis com os possíveis sentidos passíveis
de serem desejados por quem ainda respira liberdade, que detêm o poder de moldar
o próprio futuro e exercer seu livre arbítrio. Mas não só a filosofia. Em todo
o conhecimento humano disponível nas suas mais diversas áreas. E isso não é tão
difícil de conseguir não. Basta buscar nas obras filosófica, artística,
científicas, teológicas, e em tantas outras que contribuição acrescenta para a
melhoria de nossas vidas? Esse deveria
ser o objetivo principal para que se produza, divulgue e socialize resultados
de esforços que fizeram avançar a qualidade do conhecimento humano. Eu não
disse que esta história vai longe: mais de dois mil e quinhentos anos de Oriente
e Ocidente, no mínimo. Aqui um sentido para a uma vida que vale a pena ser
vivida?
Papo de Peladeiro!
Concordamos que um blog tem como um de seus objetivos
(além do egocentrismo - agora mais ameno?) bater papo? Indo adiante eu diria que
o que se quer mesmo é conversar, estar junto, jogar junto e assim vai... A
lista é longa e por isso continua mais tarde. Aqui é complicado quando se pensa
em futebol e, mais do que particularmente na Pelada – Por quê? Conversar sobre futebol é uma passatempo que
muitos gostam. No entanto quando o papo é entre torcedores de times diferentes,
dependendo do grau de fanatismo pelo seu time além da falta de bom senso, a
coisa pode se complicar. Vamos tentar civilizadamente conversar sobre futebol,
sobre suas modalidades, sobre pelada, por exemplo. Por que não? Eu gosto muito
de “Pelada” então eu quero conversar e discutir com quem se interessar sobre
essa modalidade de encontro de pessoas. Vamos falar dos cabeças grisalhas, dos pernas de pau, dos
que não tocam a bola para você de jeito nenhum. Preferem perder a bola ou dar o
passe para o adversário que para você. Está cumprida mais uma regra do futebol:
Time é isso aí na pelada: cada um por si e Deus por todos. Para facilitar a
questão gente o assunto aqui é futebol. Caso outras imagens apareçam na sua
cabeça é por sua conta. Não fui eu que disse foi você que entendeu dessa forma.
Estou tentando falar de futebol. Adoro futebol: gosto de jogar, gosto de
assistir e ouvir os jogos, gosto de comentar, de brincar, fazer gozações – fazem
parte do futebol, só do futebol, briga é no ringue. Aliás, nem lá! Afinal é
esporte ou briga? Naturalmente que sabemos com quem podemos brincar. Gente que
isso. Futebol é entre vinte e dois dentro do campo. Ali o bicho tem que pegar.
Não to falando de falta não. De gol, de drible, de lançamento perfeito, e por
aí vai. Vou aproveitar aqui para me desculpar com os goleiros. Peguei pesado. A
cara de bobo na hora do gol em alguns casos existe mesmo. Mas eu sei que muitos
estão com créditos. Já fiz experiências no gol. Não deu. Frangueiro
de marca
maior (mais uma para você Microsoft - Word). Prefiro ficar com uma asinha
assada, ou uma galinhada bem feita, bem temperada com alho e cebola. Meu filho
tem mais jeito para goleiro que eu. Também pudera. Quem foi o treinador dele?
(caso você tenha dúvida quanto à resposta para essa pergunta você até pode
entender de futebol, mas não entende nada de certa relação entre pai e filho) Nossa essa bravata vai longe... Vocês
estão achando que se sei conversar fiado somente quando se trata de pelada? Eu
vou tentar provar para você que quando se trata de discutir, será que a palavra
melhor para expressar o fato que está em nossas mentes
agora é mesmo discutir? Discutir futebol. Por que não também conversar sobre
futebol. Só para adiantar uma coisa que estou pensando agora: por que o
cruzeiro perdeu para o grêmio jogando na casa da Raposa (mais ou menos casa, a
casa verdadeira seria a resposta para a pergunta: qual o apelido do maior
Estádio de Futebol de Minas Gerais? (Idem para o que falei lá em cima. É do
texto mesmo. Os geógrafos sabem bem o que seja em cima!) Então: afinal, em
minha opinião o Time Estrelado está sofrendo da síndrome da vertigem do topo? Chegou lá, olhou para um lado e para
o outro todo mundo lá embaixo. Começou a ter tonteiras com a ideia de estar
acima deste ou daquele, foi cambaleando e de repente começou a despencar.
Décimo lugar. Dá para acreditar. Onde está o departamento psicológico do clube?
O topo é o lugar do cruzeiro também. Já esteve em muitos deles. Não dá para
falar agora muito em Tetra da Copa do Brasil, depois dessa derrota por 3 x 1.
Uma coisa não muda a outra. Somos Bi da Libertadores, a Tríplice Coroa de 2003,
e aquele time que parece que nunca vai encontrar outro do Dirceu Lopes e
companhia que ganhou do Santos de Pelé em plena Vila Belmiro, e muitos outros
feitos. Vamos contar a história do Cruzeiro para eles. Onde é que eles tem que
se espelhar? Quem vai conseguir superar os feitos dos craques de 66? Esse é o
desafio, a meta. Como jogava aquele time? Qual o sistema tático? Que
capacidades técnicas de cada jogador para efetiva-lo? Qual a mentalidade dos
jogadores? De onde tiravam raça e inteligência? Da Raposa é claro! Como é a
estratégia Raposa? Simples assim: esperteza – não no sentido da Lei de Gerson, CERTO? Esperteza para ver como o adversário
joga. Para trabalhar e armar o time para anular suas peças chaves do esquema
tático? Cleber, Marcelo Moreno (de grata lembrança) e Zé Roberto que a beira
dos quarenta colocou no bolso o meio de campo do cruzeiro. Onde estão aqueles meios
de campo fortes e eficientes do Cruzeiro? A torcida emitiu sua insatisfação via
burro, tá morto dentro de campo, e assim
vai... Gosto do respeito que um jogador demonstra por um time pelo qual já
jogou e agora marca nele um gol. Tem gente que discorda argumentando que o
jogador profissional deve ter respeito pelo time que paga seus salários. Em
minha opinião prosopopéica uma coisa
é uma coisa outra coisa outra coisa. Respeito não se mede em cédulas
monetárias. Mas em simpatia, agradecimento, reconhecimento de que foi bem
tratado e até idolatrado. Nada ver em deixar de marcar o gol ou dar uma de
corpo mole. Isso não pode nem ser aventado de forma alguma. O Edmundo do Vasco eu coloco em aberto a questão:
você decide. (Eu já decidi há muito tempo atrás.) Voltando na vaca morta, para que seja possível jogar
futebol é preciso ter pelo menos dez na linha e um no gol em dose dupla, é
claro. (Caso você tenha dúvidas quanto a essa resposta você não entende nada de
futebol). Quem sabe lendo essa lorota
você não passa a gostar de futebol. Um recado para as mulheres: se pega um
homem pela barriga (as duas) e pelo futebol. Tão achando que to falando
prosopopeia. O que dizem as estatísticas: casais onde marido e mulher gostam de
futebol se separam menos que a situação majoritária, neste caso. Por que será
que esposa não costuma gostar de futebol? Notaram o esposa não é? Eu não disse
mulher. É melhor explicar melhor: suspeito que estatisticamente a mulher casada
goste menos de futebol que mulheres com outras situações de estado civil. Preconceito
contra as esposas não é? Talvez! As solteiras vão ao campo para ver namorado e,
em alguns casos passam a gostar de futebol. Não podemos deixar de fazer justiça
aqui: cada dia que passa as mulheres estão se envolvendo mais com futebol. Quem
pensaria há um tempo não muito distante em uma mulher apresentando um programa jornalístico
cujo assunto principal é futebol. E bandeirinhas e juízas então. Falta agora
aumentarem o time das técnicas de futebol. Você conhece alguma? Não estou
lembrando agora. Outra coisa não pode deixar de ser frisada: quando uma mulher
gosta de verdade de futebol e, principalmente, para o time que torce, ah o
bicho pega. O coitado do juiz fica numa situação na qual ele pensa lá consigo
mesmo “ainda bem que deixei minha mãe lá em casa”. Abrindo aspas: “Barriga de
barril de chope”, “nanico”, “aeroporto de mosquito”, e é melhor parar por aqui
se não o cartão amarelo
aparece e reincidindo, vermelho. Teoricamente o futebol é simples assim o
problema é que na hora de jogar alguns times esquecem-se disto. Um jogador no
gol e dez na linha com o objetivo de colocar a bola na rede adversária, (tem
time que se esquece de que tem que marcar gol para ganhar a partida e entra em
campo preocupado somente em defender-se) organizando taticamente (palavrinha
também bem esquecida não é?) esses dez jogadores em três grandes partes do
campo e com três funções básicas: defesa – defender; ataque - atacar e o meio
as duas coisas. O Tinga é armador ou volante de contenção? Incompatibilidade
entre técnica e esquema tático = burrice. A voz do povo é a voz de Deus. Tudo
bem existem as alas, mas elas são a transição entre defesa e ataque nas
laterais, por isto prefiro pensar que as duas alas periféricas juntamente com a
do meio na verdade formam corredores por onde conduzir a bola muito mais que
uma parte do campo onde há o confronto pela posse da bola e consequentemente o
desenrolar do jogo. Tudo isto não passa de papo furado de peladeiro! Devo continuar
papeando?
Homeopatia Cultural
Homeopatia Cultural
"Meu tio Zico do Bico"
Frequentar uma universidade e uma faculdade tem uma diferença fundamental: o ambiente da universidade exala cultura para todos os lados, enquanto que na faculdade, com raras exceções, o ambiente é a sala de aula. Pensando em tentar amenizar tal deficiência eu incluía nos trabalhos dos meus aprendentes a HOMEOPATIA CULTURAL, OU SEJA, CULTURA EM PEQUENAS DOSES. Infelizmente, o trabalho se restringia a abordar algumas citações que eu considerava capazes de, em sala de aula, trazer alguma contribuição neste sentido. Falas de autores renomados, considerados sábios, filósofos, cientistas. Alguns exemplos: "Tudo é Um" Heráclito" esta foi sem dúvida a que fez mais sucesso. “Mantenha a fidelidade e a sinceridade como princípios básicos” (Confúcio); “Aja como se o que você faz fizesse diferença” (William James); “Quando alguém me atira um pêssego, devolvo uma ameixa.” (Mozi); “A vida irrefletida não vale a pena ser vivida.” (Sócrates); “Feliz aquele que superou o seu ego.” (Sidarta Gautama ou Buda). "Como o Homem tem necessidade de ILUSÕES para viver." Interessante como quando você tem algo importante e profundo para dizer você não precisa nem registrar em linguagem escrita. Exemplos? Sócrates, Buda e Jesus Cristo não precisaram registrar nenhuma palavra escrita para mudar o mundo de forma profunda e definitiva.
Afinal por que uma pessoa cria um Blog? A lista de motivos pode ser interminável. Mas alguns são mais ou menos comuns. Egocentrismo com certeza é um deles. Temos todos que pedir desculpas para Sidarta não é mesmo? Somos todos egocêntricos. Felizmente em graus diferenciados. Tento seguir seu conselho, mas é muito difícil. Temos que andar na corda bamba entre controlar seu egocentrismo e certo grau de niilismo (Nietzsche). Caso eu anule demais o meu chamado “eu” posso incorrer na perda de vontade de viver. Aí a coisa se complica não é mesmo? Claro que esse nunca foi o objetivo de Sidarta, mas para nós ocidentais tal risco não deixa de estar por aí a nos espreitar. O “iluminado” ou Sidarta ou Buda tinha como questão principal o objetivo da vida, o que o levou a propor uma solução para o sofrimento humano, que considerou universal: o caminho do meio. As frustrações de desejos não realizados como causa dos sofrimentos desaparecem se deixamos de desejar. Bom, mas assim acaba a vida, pois esta não passa de uma sequência de desejos que vamos perseguindo durante todo tempo que respiramos. O próximo passo é entender que o nosso "eu" é a fonte de origem de todos os nossos desejos. Para Sidarta o eu não passa de uma ilusão que gera sofrimento na medida em que não reconhecemos que somos transitórios e sem substância e, principalmente que todo eu não passa de uma pequena parte do não-eu. Não se trata de parar de viver, mas viver sem esse apego a algo que certamente não durará muito. No fim há na verdade uma valorização de uma vida que deixa de ser escrava de uma ideia sem fundamento e substância: o nosso eu de cada dia. Podemos então pensar que podemos ter um blog e não utilizá-lo apenas para satisfazer os desejos de nosso ego.
sábado, 14 de julho de 2012
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