http://youtu.be/dc4jLHg0Y6M
quarta-feira, 11 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
Prosopopeia IV
Começando com John Stuart Mill nessa outra prosopopeia
(não por acaso já que ele teve um pai-professor-orientador James Mill que eu sempre
admirei e vi como modelo a ser seguido na formação dos filhos): Somos soberanos sobre nossos corpos e nossas
mentes até que ponto? Que fatores são definitivos para que consigamos
expandir os limites do nosso mundo concomitantemente com o mundo dos que
queremos bem? Podemos pensar em diversos tipos de recursos para tanto, tais
como intelectuais, psicológicos, financeiros, e assim por diante. Os denominados
recursos pessoais neles incluídas as condições de convivência e do cotidiano da
nossa vida privada, cada dia menos privada e tão mais pública, por mais que se
queira o contrário. Vivemos num mundo onde os olhos observadores de todas as
nossas circunstâncias estão cada vez mais por toda parte. A liberdade de ser
assim ou assado de fazer isto ou aquilo já não é mais do mesmo jeito. Que
implicações surgem a partir do reconhecimento de que nosso corpo e mundo são
uma coisa só? Seria apenas uma reedição de uma antiga ideia de que tudo seja
um, que existe uma totalidade de todas as coisas presente nas filosofias ocidental
e oriental? Acaba por deixar de fazer sentido que os limites do mundo sejam os
limites do nosso campo de visão como queria Schopenhauer, pois simplesmente
tais limites desaparecem como fumaça no ar. Para ele nossa separação do mundo
não passa de ilusão. Acreditava na existência de uma vontade universal da qual
as nossas vontades individuais seriam uma coisa só. Uma totalidade como essa
não condiz com limites internos separando partes também internas a esses
limites. Uma coisa não condiz com a outra. Observações e experiências limitadas
que compõem nossa versão pessoal do mundo ainda existem e continuam limitando
os limites desse nosso mundo vivido? Infelizmente parece que sim. Quanto
obscurantismo ainda nesse mundo nosso de cada dia! Não sei se vale a pena
questionar a questão da legalidade. Tal possibilidade independente de ser
dentro ou fora da lei? Ou é esta outra questão e o que importa aqui é a liberdade
de escolher o que se vai viver agora e daqui a pouco e pronto e acabado? Particularmente
e sem hipocrisia prefiro as escolhas que estejam dentro da lei. Acho que dessa
forma utilizo o bom senso. Afinal quem não quer a segurança necessária para
fazer suas escolhas com a garantia de que uma força externa não nos possa privar
de nossa liberdade, do nosso direito de ir e vir, por exemplo. Acredito na
utilidade prática do uso do bom senso, porém sabemos da existência de leis
injustas. No caso de nos depararmos com alguma delas não vejo porque não
protestar de forma não violenta para não deixar que elas criem raízes
definitivas. Quem duvida que lei e justiça nem sempre estão bem casados?
Infelizmente em muitos casos o casamento é com a injustiça. Os argumentos
jurídicos são muito interessantes. Um único exemplo: “contra fatos não há
argumentos” versus “neste caso os
fatos são irrelevantes o que importa é a norma”. Afinal como é que fica?
Prosopopeia também?
Prosopopeia III
Agora não resta nenhuma dúvida: vai ser prosopopeia de
verdade. Podemos pensar que Kant seja o inverso de Berkeley já que este negou a
realidade externa, e aquele provou sua existência. Importa ficar nos
preocupando se existe ou não o mundo e muito mais saber quais os limites do
nosso mundo? Um dos primeiros a propor uma divisão dual para o mundo foi com
certeza Platão: o mundo aparente e o mundo real. Nietzsche negou a existência
desses dois mundos para afirmar a vida e sugerindo que devemos parar de
procurar por um mundo que está além do nosso alcance. Eu prefiro também a ideia
de um único mundo, esse mundo no qual vivemos aqui e agora. Não estou dizendo
que Kant tenha cometido algum erro neste caso específico. Como não podemos
extrapolar os limites do mundo no qual vivemos o que nos impede de pensar que
na verdade o que existe mesmo é uma totalidade composta por essas duas partes
de forma integrada e unificada, num contexto complexo de fluxo de vida, no qual
nossos corpos interagem com o entorno. Eureka:
surpreendente mesmo é Edgar Allan Poe que pensava que essa totalidade, tudo que
existe, o universo é um grande poema escrito por Deus. Não é por acaso que já
se afirmou que “a imaginação dispõe de tudo!” Então imaginemos. Afinal são
prosopopeias. A respiração que circula entre o céu e a terra e da terra para o
céu, passando pelo lavar e banhar originando a possibilidade de aumento da
fronteira original conforme o misticismo oriental pode significar uma expansão
não só do tempo de vida, mas também da sua qualidade em termos de satisfação
dos próprios sonhos. A água que circula por entre todo o mundo vivo e inerte
com sua capacidade única de solvente universal pelos seus dois polos elétricos
contrários bem definidos também pode contribuir para isto. Os minerais que
estruturam o mundo todo, dos ossos às grandes cadeias de montanhas e fundos
oceânicos colaboram para o mesmo resultado? E assim por diante poderíamos
continuar verificando e questionando essas relações? Não há de um lado nossos
corpos e de outro o mundo exterior. Existe um mundo onde tudo e todos se
interagem. Talvez uma forma de holismo. Querer um status particular e
específico para nós seres humanos é aceitar a máxima de Protágoras de que o homem seja a medida de todas as coisas?
O fato aceito pelos geógrafos de uma maneira geral depois que Élisée Reclus publicou L'Hombre et la Terre afirmando que “o homem é a
natureza adquirindo consciência de si própria” implica necessariamente que podemos nos
considerar diferentes do resto do mundo vivo? Linguagem, ciência e tecnologia,
entre outros tantos, são diferenciais de peso nesta questão. Lao Tsé não teve
dúvidas quanto a isso e concluiu que os humanos são uma das dez mil
manifestações que formam o mundo e sem status especial. E você que está tendo a
paciência de ler toda essa prosopopeia o que acha o que pensa? Será que é
possível mesmo viver no fluxo do Tao sem perturbar seu equilíbrio harmonioso?
Que tal tentar?
Prosopopeia II
Outra escolha relacionada com a anterior e da mesma
forma fundamental é quanto a estudar ou não. Fazer uma faculdade, seguir na carreira
acadêmica e ter uma profissão que dependa deste tipo de formação, pode ser
muito importante para a criação e educação dos filhos. Uma condição para que
ela frutifique é o tempo de convivência, pois o ter simplesmente uma cultura
sólida e científica, quem sabe filosófica não significa que o resultado seja
necessariamente uma contribuição nessa criação. É preciso disponibilizar as
oportunidades para que esse conhecimento seja utilizado adequadamente. Não
podemos formatar uma futura pessoa nos moldes de um formato previamente
estabelecido. Podemos sim mostrar os caminhos, os meios e o fins prováveis, e a
decisão será de quem está em processo de formação, mais ainda por quem tem o
direito de viver a própria vida. Não podemos esquecer esse detalhe. É claro que
lá no fundinho de cada pai tem as
esperanças muito bem delineadas nos diversos sonhos para o futuro de nossos
filhos. Isto fica bem guardadinho, e só podemos torcer para que eles sejam
realizados. Tudo isso prosopopeia?
Questão de Método.
"Trata-se de descrever, não de explicar nem de analisar" Maurice Merleau -Ponty (Prefácio da Fenomenologia da Percepção)
Prosopopeia I
Tinha (infelizmente faleceu a pouco tempo) um amigo (conhecido como Chico do Queto) que o tempo todo utilizava a palavra prosopopeia como sinônimo de palavreado sem sentido algum. Cabe a você verificar a existência do contrário, ou seja, considerar que o que diz o homem como bípede implume (uma galinha) está a dizer algo aproveitável ou nada mais que a reunião de um palavreado do qual não se aproveita nada.
Como afirmou Voltaire “A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda.”
Seria toda a metafísica uma prosopopeia? O que posso considerar com sentido para mim ou mesmo para nós seres humanos? E para você?
Vou ficar muito feliz se você entrar em contato dando sua opinião. Hoje não é mais preciso ir a uma biblioteca para sanar as dúvidas, não é mesmo?
Fico aguardando que participe e que me diga que parte dos textos publicados não passa de "prosopopeia".
Mãos a obra!!!!
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